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CMOC compra operações da Equinox Gold no Brasil por US$ 1,015 bilhão

Imagem da planta da Equinox Gold em Santaluz (BA).

CMOC Group da China, uma das maiores mineradoras do país, anunciou neste sábado, 14 de dezembro, que comprará as minas brasileiras da Equinox Gold por US$ 1,015 bilhão, diversificando ainda mais sua atuação de metais básicos para o setor de metais preciosos.

O acordo envolve a Mina Aurizona, no Maranhão; a Mina Riacho dos Machados (RDM), em Minas Gerais; e o Complexo Bahia, que reúne as operações Santa Luz e Fazenda Brasileiro, na Bahia. A operação consolida a ampliação da presença chinesa no setor mineral brasileiro.

O contrato prevê um pagamento inicial de US$ 900 milhões em dinheiro no fechamento da transação, esperado para o primeiro trimestre de 2026, além de um pagamento contingente de até US$ 115 milhões, atrelado ao desempenho produtivo das minas um ano após o fechamento.

A aquisição representa mais um passo na estratégia de expansão da CMOC no Brasil. A empresa já figura como a segunda maior produtora de nióbio do mundo e a segunda maior produtora de fertilizantes fosfatados do país, com operações em Catalão e Ouvidor (GO) e Cubatão (SP).

Presente no Brasil desde 2016, quando adquiriu os ativos de nióbio e fosfatos da Anglo American por US$ 1,7 bilhão, a CMOC registrou produção recorde em 2024, com 10.024 toneladas de nióbio e 1,18 milhão de toneladas de fertilizantes. Com a compra das minas da Equinox, a companhia diversifica seu portfólio ao ingressar no segmento de ouro.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla de investimentos chineses na mineração brasileira. Grupos como CMOC, MMG (Minerals and Metals Group) e Zijin Mining têm disputado ativos estratégicos ligados a minerais críticos e metais preciosos. Em 2024, a China Nonferrous Mining Metal Company (CNMC) adquiriu a Mineração Taboca, no Amazonas, por US$ 340 milhões, enquanto a Baiyin Nonferrous firmou compromisso de compra da Mineração Vale Verde, produtora de cobre em Alagoas, por US$ 420 milhões.

Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), empresas chinesas investiram US$ 4,2 bilhões em projetos no Brasil em 2024, um salto de 113% em relação a 2023, com foco em setores estruturais como energia, petróleo, infraestrutura e mineração.

Para a Equinox Gold, a venda dos ativos brasileiros representa um reposicionamento estratégico. De acordo com Darren Hall, CEO da companhia, os recursos obtidos permitirão transformar o balanço patrimonial, com a liquidação integral do empréstimo a prazo de US$ 500 milhões e do empréstimo Sprott de US$ 300 milhões, além da redução da linha de crédito rotativo.

“A venda de nossas operações no Brasil é um passo fundamental para posicionar a Equinox Gold como uma produtora de ouro focada na América do Norte, com forte fluxo de caixa e perfil de crescimento de primeira linha”, afirmou o executivo.

Após a conclusão da transação, o portfólio da Equinox Gold passará a incluir as minas Valentine e Greenstone, no Canadá; Mesquite, na Califórnia; e El Limón e Libertad, na Nicarágua. A empresa projeta produção anual entre 700 mil e 800 mil onças de ouro em 2026, considerando que Valentine e Greenstone atinjam sua capacidade nominal.

A companhia também mantém potencial de crescimento orgânico, com a expansão de Valentine, a fase 2 de Castle Mountain e um plano de desenvolvimento redefinido para Los Filos, no México.

O pagamento contingente de até US$ 115 milhões será apurado um ano após o fechamento da operação, conforme os seguintes critérios:

  • 12,5% da receita para produção entre 200 mil e 280 mil onças de ouro; ou

  • US$ 115 milhões caso a produção atinja ou supere 280 mil onças no período.

 

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