USA Rare Earth compra Mineração Serra Verde por US$ 2,8 bilhões
A mineradora norte-americana USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Mineração Serra Verde por aproximadamente US$ 2,8 bilhões, em um movimento estratégico para o mercado global de terras raras — insumos essenciais para tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
O acordo prevê a aquisição de 100% da companhia brasileira, que opera a mina e a planta de processamento Pela Ema, localizada no estado de Goiás. A transação será estruturada com pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de cerca de 126,8 milhões de novas ações da compradora.
A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias e condições usuais de fechamento.
Além disso, a Serra Verde firmou um acordo de fornecimento de 15 anos para o mercado americano e com preços mínimos garantidos. Segundo a empresa, “o acordo de fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso, ao mesmo tempo em que garante empregos e investimentos para o Brasil e Minaçu por muitos anos”.
Ativo estratégico
A Serra Verde é considerada um ativo estratégico no setor por estar fora da Ásia e capaz de produzir os quatro principais elementos magnéticos de terras raras — fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em diversas indústrias de alta tecnologia.
A expectativa da empresa americana é que a operação brasileira responda por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027, consolidando o ativo como peça-chave na diversificação global da cadeia de suprimentos.
Disputa geopolítica
A aquisição ocorre em meio ao esforço dos Estados Unidos e de seus aliados para reduzir a dependência da China, que domina mais de 90% da produção global de terras raras.
Nesse contexto, o Brasil ganha protagonismo ao abrigar reservas relevantes desses minerais estratégicos, essenciais para a transição energética e para setores como defesa, eletrônicos e mobilidade elétrica.
Além disso, o acordo inclui contratos de longo prazo e garantias de fornecimento, alinhados à estratégia americana de garantir acesso estável a insumos críticos e fortalecer uma cadeia produtiva integrada fora da Ásia.
Impactos para o mercado e o Brasil
A operação pode impulsionar investimentos no setor mineral brasileiro e consolidar o país como um dos principais polos globais de terras raras. Ao mesmo tempo, reforça a tendência de reorganização geopolítica das cadeias de suprimento, com maior competição entre grandes potências por recursos naturais estratégicos.
Para analistas, o negócio também sinaliza uma nova fase para a indústria, marcada pela verticalização da produção — da mineração à fabricação de ímãs — e pela crescente importância dos minerais críticos na economia global.
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