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Vale inicia ações emergenciais após extravasamentos em Ouro Preto e Congonhas (MG)

A mineradora Vale iniciou ações emergenciais nas áreas atingidas pelos extravasamentos de água com sedimentos registrados nas minas de Ouro Preto e Congonhas, na Região Central de Minas Gerais.

As intervenções ocorrem após determinação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) e envolvem medidas para conter impactos ambientais e recuperar áreas afetadas pelos eventos.

Os episódios que motivaram a intervenção foram registrados em 25 de janeiro de 2026, quando volumes significativos de água misturada a sedimentos escaparam de duas estruturas operacionais da Vale:

  • Na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, o extravasamento fez com que cerca de 262 mil metros cúbicos de água com sedimentos fossem liberados, seguindo por cursos d’água da região.
  • Na Mina de Viga, em Congonhas, outro volume considerável de água com sedimentos foi registrado, atingindo áreas de drenagem e estruturas ambientais locais.

Em ambos os casos, a empresa afirma que não houve vítimas e que as situações não envolvem barragens de rejeitos, como aquelas sujeitas a monitoramento mais rígido — um ponto reiterado pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

Medidas emergenciais e prazos

Segundo a Semad, a Vale cumpriu o prazo de 48 horas para apresentar e iniciar ações técnicas nas áreas impactadas, incluindo:

  • Contenção do carreamento de sedimentos em cursos d’água e estruturas de drenagem;
  • Desassoreamento de trechos críticos;
  • Monitoramento ambiental contínuo nas regiões atingidas.

As autoridades agora analisam os relatórios técnicos enviados pela mineradora para avaliar os efeitos e a eficácia das ações emergenciais implementadas.

Sanções e exigências governamentais

O Governo de Minas aplicou multas à Vale, totalizando aproximadamente R$ 3,3 milhões, em face da reincidência pelos danos ambientais e falhas na comunicação dos eventos às autoridades competentes, além de suspender temporariamente as operações nas duas minas até que as condições ambientais sejam regularizadas.

Além disso, órgãos estaduais e federais, incluindo o Ministério Público de Minas Gerais, solicitaram medidas judiciais de bloqueio patrimonial que, somadas, podem ultrapassar R$ 2 bilhões, como parte de instrumentos legais para assegurar investimentos em reparação e mitigação dos impactos.

Resposta da comunidade e associações

Entidades representativas de municípios mineradores, como a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), cobraram da Vale transparência, responsabilização e detalhamento dos planos de ação preventiva e de reparação ambiental, destacando a necessidade de maior clareza sobre as causas técnicas dos extravasamentos.

Impactos ambientais e monitoramento

As autoridades ambientais identificaram alterações na turbidez de cursos d’água da região, incluindo afluentes do rio Maranhão, que deságua no rio Paraopeba, área sensível do ponto de vista ambiental. Equipamentos de monitoramento e equipes técnicas continuam avaliando a qualidade da água e os efeitos sobre o ecossistema local.

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