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Tarifa sobre exportações brasileiras preocupam setor produtivo

bandeira estados unidos eua

A imposição de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, anunciada pelo governo dos Estados Unidos (EUA), com vigência a partir de 1º de agosto, foi recebida com preocupação pelo setor produtivo brasileiro, que alerta para os riscos dos impactos do tarifaço na economia do Brasil.

Na avaliação da Câmara Americana de Comércio (Amcham), a decisão anunciada pelo presidente Donald Trump é uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países.

A entidade ressaltou, em comunicado, que a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos sempre foi pautada pelo respeito, confiança mútua e compromisso com o crescimento conjunto. A Amcham ressalta ainda que o comércio de bens e serviços entre as duas nações é fortemente complementar e tem gerado benefícios concretos para ambos os lados, sendo superavitário para os Estados Unidos ao longo dos últimos 15 anos — com saldo de US$ 29,2 bilhões em 2024, segundo dados oficiais norte-americanos.

“A Amcham Brasil conclama os governos a retomarem, com urgência, um diálogo construtivo. Reiteramos a importância de uma solução negociada, fundamentada na racionalidade, previsibilidade e estabilidade, que preserve os vínculos econômicos e promova uma prosperidade compartilhada”, disse o comunicado.

Para a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) o aumento para 50% da tarifa de importação dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros foi recebido com surpresa e indignação. O presidente-executivo da entidade, José Augusto de Castro, avalia que a medida é de cunho político e que terá impacto econômico de grande lastro.

“É certamente uma das maiores taxações a que um país já foi submetido na história do comércio internacional, só aplicada aos piores inimigos, o que nunca foi o caso do Brasil. Além das dificuldades de comércio com os Estados Unidos, o anúncio da Casa Branca pode criar uma imagem negativa do Brasil e gerar medo em importadores de outros países de fechar negócios com as nossas empresas, afinal, quem vai querer se indispor com o presidente Trump?”, questiona Castro.

A AEB entende que as perspectivas são de um cenário muito duro para o Brasil, e que o bom senso prevalecerá e a taxação será revertida.

O setor de rochas naturais brasileiro também manifestou preocupação em relação à tarifa dos EUA. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) ressaltou que os Estados Unidos são o principal destino das exportações do setor e, portanto, a medida representa um risco para o equilíbrio das relações comerciais entre os dois países.

Conforme dados da Centrorochas, o mercado norte-americano respondeu por 56,3% das exportações brasileiras do setor em 2024, totalizando US$ 711,1 milhões.

“A nova alíquota coloca o Brasil em desvantagem competitiva frente a outros fornecedores internacionais, como Itália, Turquia, Índia e China, que enfrentarão tarifas inferiores. A medida ameaça o desempenho de mais de 200 empresas exportadoras brasileiras e compromete uma cadeia produtiva que gera cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos no país”, explicou a nota da entidade.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reforçou que os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o Brasil, em especial para a indústria manufatureira nacional. No caso de Minas Gerais, trata-se do principal parceiro da indústria de transformação do estado.

Diante desse cenário, a Fiemg entende que eventuais medidas de retaliação devem ser avaliadas com cautela, uma vez que podem trazer prejuízos significativos à sociedade brasileira e ao setor produtivo como um todo. “Este é o momento de reavaliar posicionamentos, reconsiderar decisões e buscar soluções por meio do diálogo com esse parceiro estratégico”, informou a federação em comunicado.

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O post Tarifa sobre exportações brasileiras preocupam setor produtivo apareceu primeiro em Revista Mineração.