
A mineração brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 (1S26) com crescimento da receita, aumento da arrecadação de tributos e desempenho expressivo das exportações, reforçando seu papel estratégico para a economia nacional. Entre janeiro e junho, o setor movimentou R$ 150,7 bilhões, valor 8,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o faturamento alcançou R$ 139,2 bilhões.
Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) nesta terça-feira (28) mostram que, apesar da redução das receitas obtidas com o minério de ferro, a valorização de minerais como ouro e cobre sustentou o avanço do setor, que também ampliou sua contribuição para a balança comercial brasileira e para a arrecadação pública.
Minério de ferro segue líder; ouro e cobre aceleram
O minério de ferro permaneceu como a principal commodity mineral do país, respondendo por 47,2% do faturamento da indústria mineral brasileira. No entanto, sua receita caiu 3,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado, passando de R$ 73,5 bilhões para R$ 71,2 bilhões. Em contrapartida, dois metais estratégicos para a economia mundial registraram forte expansão.
O ouro faturou R$ 25,3 bilhões, avanço de 44,2%, impulsionado pela valorização internacional do metal em meio às incertezas econômicas globais e ao aumento da demanda por ativos considerados seguros.
Já o cobre movimentou R$ 20,6 bilhões, crescimento de 41%, refletindo a demanda crescente por eletrificação, energias renováveis, veículos elétricos e infraestrutura digital, segmentos que vêm ampliando o consumo do metal em todo o mundo.
Entre os demais minerais com maior participação no faturamento aparecem o calcário dolomítico, com R$ 3,9 bilhões, o granito, que alcançou R$ 3,8 bilhões, e a bauxita, responsável por R$ 3 bilhões em receitas no semestre.
Minas Gerais lidera faturamento nacional
O levantamento confirma que Minas Gerais permanece como o principal estado minerador do país. O estado concentrou 38,2% do faturamento nacional, equivalente a R$ 57,6 bilhões. Na sequência aparecem o Pará, com R$ 52,2 bilhões (34,6% do total), e a Bahia, que movimentou R$ 7,5 bilhões, representando aproximadamente 5% das receitas da mineração brasileira.
Exportações crescem 24%
O comércio exterior também apresentou desempenho positivo. No primeiro semestre, o Brasil exportou 196,2 milhões de toneladas de produtos minerais, alta de 2,4% sobre igual período de 2025. Em valores, as exportações alcançaram US$ 25,1 bilhões, crescimento de 24,1%.
O minério de ferro continuou sendo o principal produto exportado, respondendo por 53,6% do valor das exportações minerais. Foram embarcadas 189,4 milhões de toneladas da commodity para o mercado internacional.
Com isso, a balança comercial mineral registrou superávit de US$ 20,3 bilhões, montante equivalente a 48% de todo o saldo comercial brasileiro no período.
Arrecadação de tributos soma R$ 52 bilhões
Além do avanço da atividade econômica, a mineração ampliou sua contribuição para os cofres públicos. O setor recolheu R$ 52 bilhões em impostos e tributos no primeiro semestre, valor 8,2% superior ao registrado um ano antes.
Já a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) totalizou R$ 3,8 bilhões, crescimento de 3,6%.
Segundo o IBRAM, Minas Gerais respondeu por 44,4% de toda a CFEM arrecadada no país, enquanto o Pará concentrou 39,2%. O minério de ferro permaneceu como a principal fonte da compensação financeira, representando 65,1% da arrecadação nacional da CFEM.
Setor mantém geração de empregos
O mercado de trabalho também apresentou estabilidade. Até maio, a mineração brasileira contabilizava 229.614 empregos diretos, com saldo positivo de 421 novas vagas criadas entre janeiro e maio de 2026, segundo dados do Novo Caged compilados pelo IBRAM.
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