
A Brazilian Rare Earths (BRE) estima investir US$ 969 milhões no desenvolvimento do projeto Rocha da Rocha, voltado à produção de terras raras na Bahia. O valor corresponde ao capital necessário até a primeira produção e inclui contingências, além dos investimentos previstos para o desenvolvimento do depósito Monte Alto e da primeira fase da estrutura de processamento em Camaçari.
O projeto apresentou indicadores econômicos expressivos em seu estudo de escopo. A estimativa aponta Valor Presente Líquido (VPL) pós-impostos de US$ 7,9 bilhões, Taxa Interna de Retorno (TIR) de 89% e prazo de retorno do investimento, ou payback, de apenas 1,1 ano.
A companhia prevê que a primeira produção integrada de terras raras ocorra em 2031, enquanto a vida útil inicial do projeto é estimada em 14 anos. A próxima etapa será o avanço dos estudos para uma avaliação de pré-viabilidade, com a decisão final de investimento prevista para meados de 2029.
Depósito de alto teor de terras raras
O projeto Rocha da Rocha está baseado no depósito Monte Alto, apresentado pela BRE como um dos ativos de maior potencial do Brasil em terras raras. A mineralização possui 3,4 milhões de toneladas de recursos minerais primários e residuais, com teor médio de 11,3% de óxidos totais de terras raras (TREO).
Do total, 2,51 milhões de toneladas são classificadas como recursos indicados, com teor médio de 12,7%, enquanto outras 890 mil toneladas correspondem a recursos inferidos, com teor de 7,1%.
Outro diferencial do depósito é a presença elevada de terras raras pesadas, especialmente disprósio e térbio. Esses elementos são considerados estratégicos para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho utilizados em setores como veículos elétricos, robótica, defesa, indústria aeroespacial e automação.
Segundo o estudo, os teores identificados em Monte Alto superam em mais de duas vezes os registrados por dois grandes produtores ocidentais, o que pode reduzir a quantidade de material movimentado e processado durante a operação.
Produção e estrutura do projeto
A projeção da BRE indica uma produção média anual de 247 toneladas de disprósio e térbio contidos no concentrado, além de 989 toneladas de ítrio. Nos primeiros cinco anos de operação em ritmo normal, a produção de DyTb deve alcançar aproximadamente 274 toneladas anuais.
A estimativa da companhia, baseada em dados da Benchmark Mineral Intelligence, é de que a oferta global de disprósio e térbio fora da China chegue a 1.316 toneladas por ano em 2031.
A operação em Monte Alto deverá utilizar métodos convencionais de mineração, com britagem, peneiramento e separação do minério por sensores. Não está previsto processamento químico na área da mina.
Após o beneficiamento, o material será levado para Camaçari (BA), onde a empresa planeja instalar a estrutura de processamento e separação. A região foi escolhida pela disponibilidade de infraestrutura industrial, energia, água, logística, reagentes e mão de obra especializada.
O modelo previsto é conhecido como “hub-and-spoke”, no qual o beneficiamento fica concentrado na mina, enquanto as etapas químicas e de separação são realizadas em Camaçari.
Acordo para venda da produção
A BRE também possui um acordo vinculante de dez anos com a francesa Carester para a aquisição de parte da produção. O contrato contempla concentrado com até 150 toneladas anuais de disprósio e térbio e estabelece uma rota comercial para o mercado europeu.
A Carester também deverá contribuir tecnicamente para o desenvolvimento da futura refinaria planejada para Camaçari.
Apesar dos indicadores econômicos favoráveis, o projeto ainda está em fase de desenvolvimento. O estudo de escopo é uma avaliação preliminar, com precisão estimada em aproximadamente ±40%, e a implantação depende da conclusão de estudos mais avançados, obtenção de licenças, financiamento e execução do projeto.
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