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Mineração avança com foco em ESG, tecnologia e minerais críticos

A mineração brasileira vive, em 2026, um novo ciclo de maturidade impulsionado pela integração entre tecnologia, sustentabilidade e eficiência produtiva. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda global por minerais críticos — fundamentais para a transição energética — reforça o papel estratégico do Brasil no cenário internacional.

A avaliação é da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), entidade com mais de oito décadas de atuação na difusão do conhecimento técnico-científico e no fortalecimento da conexão entre indústria, pesquisa e educação. Segundo a instituição, o setor atravessa uma transformação estrutural que vai além da extração mineral.

Segundo a ABM, hoje, as empresas buscam ampliar a eficiência operacional, reduzir impactos socioambientais e gerar valor ao longo de toda a cadeia produtiva. Esse movimento exige uma abordagem sistêmica, baseada em inovação tecnológica, qualificação profissional e maior integração entre diferentes agentes do setor.

Mineração 4.0 ganha escala no Brasil

A chamada mineração 4.0 já faz parte da rotina das companhias. Tecnologias como inteligência artificial, automação, análise de dados e operações remotas vêm sendo adotadas para aumentar a previsibilidade, reduzir riscos e elevar os padrões de segurança.

Além disso, cresce o investimento em manutenção preditiva, modelagem geológica avançada e otimização de processos — áreas consideradas estratégicas para ganhos de eficiência.

Para a coordenadora da comissão técnica de mineração da ABM, Vânia Lúcia de Lima Andrade, o avanço tecnológico precisa ser acompanhado pela formação de profissionais qualificados. Segundo ela, a digitalização e a automação devem ganhar ainda mais relevância, mas o setor enfrenta desafios na capacitação de mão de obra especializada.

Minerais críticos ampliam protagonismo do Brasil

Para a ABM, a crescente demanda por minerais como lítio, cobre e terras raras, impulsionada por setores como energia renovável, baterias e veículos elétricos, abre novas oportunidades para o país.

O Brasil já se destaca como um dos principais produtores de minério de ferro e avança em projetos relacionados ao lítio e à bauxita. Esse cenário fortalece sua posição como fornecedor relevante para cadeias globais ligadas à economia de baixo carbono.

No entanto, especialistas apontam que o desafio vai além da extração. A ampliação da cadeia de valor, com maior processamento e industrialização no país, é vista como essencial para aumentar a competitividade e a geração de riqueza.

ESG e licença social redefinem o setor

As práticas de ESG (ambientais, sociais e de governança) deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos básicos para a operação e o acesso a financiamentos.

Nesse contexto, ganha força o conceito de licença social para operar, baseado na confiança, transparência e relacionamento com comunidades locais. Trata-se de um ativo intangível, mas fundamental para a continuidade dos projetos minerais.

De acordo com a ABM, esse conceito também se reflete no fechamento de minas com transferência de custódia, que busca não apenas recuperar áreas degradadas, mas criar novos usos econômicos e sociais para os territórios impactados.

Produtividade e sustentabilidade caminham juntas

A busca por produtividade no setor passa a depender de planejamento mais sofisticado, integrando variáveis operacionais, ambientais e sociais desde a concepção dos projetos.

Essa nova dinâmica reforça a necessidade de uma regulação eficiente. Entre as demandas do setor está o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), com mais autonomia financeira e capacidade técnica para acompanhar a evolução da atividade.

Falta de mão de obra qualificada é desafio

Apesar dos avanços tecnológicos, a formação de profissionais ainda não acompanha o ritmo das transformações. A escassez de mão de obra qualificada e a baixa atração de jovens para cursos ligados à mineração e metalurgia são apontadas como entraves relevantes.

Iniciativas voltadas à educação e à aproximação com o mercado ganham importância nesse cenário. A ABM, por exemplo, promove eventos como a ABM Week e incentiva programas de formação técnica e inovação aberta, conectando empresas, universidades e centros de pesquisa.

Perspectivas positivas para o setor

Segundo a ABM, mesmo diante dos desafios, a perspectiva para a mineração brasileira é positiva. A combinação entre demanda global aquecida, avanço tecnológico e riqueza geológica coloca o país em posição privilegiada.

“A expectativa é de crescimento não apenas econômico, mas também social e tecnológico, consolidando o setor como peça-chave na construção de uma economia mais sustentável e de alto valor agregado”, destaca a entidade.

 

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