
A mineração terá papel central no atendimento à crescente demanda mundial por energia impulsionada pelo avanço de tecnologias como inteligência artificial, digitalização e data centers. A avaliação foi feita pelo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, durante a abertura do Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, realizado nesta terça-feira (9), em Brasília.
Segundo Cesário, a expansão das fontes renováveis e das novas tecnologias torna os minerais críticos e estratégicos indispensáveis para a transição energética global. “Não existe energia sustentável sem mineração, seja ela eólica, solar ou nuclear”, afirmou.
O evento reuniu representantes do setor mineral, autoridades federais, especialistas e executivos de diferentes segmentos para discutir oportunidades e desafios relacionados ao fornecimento de minerais essenciais para a economia de baixo carbono.
Minerais críticos ganham status de política de Estado
A importância estratégica da mineração também foi destacada pela secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Ana Paula Bittencourt, que representou o ministro Alexandre Silveira.
De acordo com ela, a crescente demanda mundial por minerais críticos elevou a mineração a um novo patamar dentro das políticas públicas nacionais.
“A mineração vive um momento especial. O setor passou a ser tratado como estratégico para o Estado e deixou de ser apenas uma pauta dos países produtores”, afirmou.
Durante o seminário, também foi ressaltado o avanço do Projeto de Lei 2780/2024, que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Cesário destacou que a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados foi resultado de um amplo consenso entre governo e oposição.
O deputado federal Arnaldo Jardim, relator da matéria, afirmou que o texto representa a construção de uma política de longo prazo para o setor. Segundo ele, a expectativa é que o Senado mantenha as diretrizes aprovadas pelos deputados.
Brasil pode assumir protagonismo global
Na avaliação do presidente do IBRAM, o Brasil reúne condições favoráveis para se consolidar como um dos principais fornecedores mundiais de minerais estratégicos, incluindo terras raras, fundamentais para tecnologias avançadas e sistemas de energia limpa.
Além das reservas minerais, Cesário destacou a qualificação dos profissionais brasileiros e a capacidade das empresas nacionais de competir em mercados internacionais.
Conhecimento e inovação como diferencial
Para o dirigente, a competitividade do setor dependerá cada vez mais da capacidade de agregar conhecimento, inovação e tecnologia à exploração mineral.
“O futuro está na combinação entre mineração e conhecimento”, afirmou.
Segundo ele, o aproveitamento dos minerais críticos deve estar associado ao desenvolvimento científico e à agregação de valor, permitindo que o país participe de forma mais relevante das cadeias globais de produção.
Cooperação internacional e desenvolvimento sustentável
Cesário também defendeu o fortalecimento das parcerias internacionais para ampliar mercados, compartilhar conhecimento e incorporar práticas avançadas de sustentabilidade, governança e inovação.
Ele ressaltou que o desafio brasileiro vai além da exploração mineral e envolve transformar recursos naturais em prosperidade duradoura para trabalhadores, comunidades, empreendedores e investidores.
“Mais do que criar ciclos de riqueza, precisamos construir um modelo sustentável e permanente de desenvolvimento”, concluiu.
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