
A transferência da concessão da Fiol 1 para o grupo português Mota-Engil deverá avançar nos próximos meses. A expectativa foi apresentada nesta terça-feira (9) pelo ministro dos Transportes, George Santoro, que afirmou que o processo de aprovação na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está em fase adiantada.
A Fiol 1, trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste atualmente concedido à Bamin, enfrenta atrasos nas obras devido às dificuldades da concessionária. A Mota-Engil, que tem entre seus acionistas a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC), surge como a principal interessada em assumir o projeto.
De acordo com Santoro, a assinatura do termo aditivo com a nova operadora pode ocorrer até agosto deste ano. Com isso, a retomada das obras está prevista para 2026, enquanto a entrega do trecho ferroviário deverá ocorrer até 2033.
O ministro informou que o empreendimento demandará investimentos próximos de R$ 7 bilhões. O montante inclui recursos destinados à implantação e ao desenvolvimento do Porto Sul, em Ilhéus (BA), considerado peça fundamental para o escoamento da produção transportada pela ferrovia.
Paralelamente, o Ministério dos Transportes concluiu a estrutura da futura concessão do corredor ferroviário Fico-Fiol, conhecido como Corredor Leste-Oeste. A modelagem foi encaminhada à ANTT e seguirá posteriormente para avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os projetos prioritários para este ano está o leilão da ligação entre a Fiol 2 e a Fico 2. Segundo Santoro, mais de 200 quilômetros da Fiol 2 tiveram pendências ambientais solucionadas, permitindo que o governo avance com a oferta do trecho à iniciativa privada.
O corredor ferroviário é composto por diferentes segmentos em fases distintas de implantação. A Fiol 2, entre Caetité e Barreiras, possui aproximadamente 500 quilômetros e está em execução pelo governo federal. Após sua conclusão, está prevista a implantação da Fiol 3, que adicionará cerca de 900 quilômetros ao sistema ferroviário.
A conexão prossegue pela Fico 1, entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT), e pela Fico 2, até Lucas do Rio Verde (MT). Este último trecho, entretanto, permanece condicionado a futuras negociações e poderá integrar a concessão como investimento facultativo.
Especialistas do setor observam que a viabilidade econômica do corredor depende da solução de gargalos importantes, especialmente a conclusão da Fiol 1 e a efetiva implantação do Porto Sul. A ausência dessas estruturas pode reduzir o potencial logístico e comercial da futura malha.
Quando concluído, o corredor ferroviário permitirá integração com os portos de Itaqui, Aratu, Vitória, Rio de Janeiro e Santos, por meio das conexões com as ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, além de criar uma nova alternativa de exportação pelo litoral baiano.
Durante o programa “Bom Dia, Ministro”, Santoro também antecipou o lançamento de uma linha especial de financiamento do BNDES voltada ao setor ferroviário. O anúncio será realizado durante evento promovido na Arena B3, em São Paulo.
Segundo o ministro, a nova modalidade oferecerá condições diferenciadas de crédito, com prazos ampliados de pagamento, buscando estimular a participação de investidores internacionais em projetos de infraestrutura ferroviária no Brasil.
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