
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deu mais um passo em seu plano de desinvestimentos ao estabelecer um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group para negociar a venda da CSN Cimentos Brasil. A operação considera uma avaliação de R$ 12,7 bilhões e poderá representar um avanço importante na estratégia de redução do endividamento da companhia.
O anúncio foi realizado nesta sexta-feira (30), por meio de comunicado ao mercado. O entendimento estabelece um período de dez dias para que as empresas finalizem os documentos definitivos da transação.
A Huaxin foi selecionada após apresentar a proposta mais vantajosa entre as recebidas no processo competitivo iniciado em março deste ano.
O montante de R$ 12,7 bilhões corresponde ao valor de empresa, conhecido como enterprise value, que contempla também o endividamento do ativo negociado. Portanto, o ingresso efetivo de recursos no caixa da CSN dependerá da estrutura financeira e das condições finais da venda.
Endividamento da CSN
A negociação ocorre em um momento de esforços da CSN para reduzir sua alavancagem financeira.
No encerramento do segundo trimestre de 2026, a siderúrgica apresentava dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e uma relação entre dívida líquida e Ebitda de aproximadamente 3,5 vezes.
A venda da unidade de cimentos é considerada uma das principais operações previstas no programa de alienação de ativos anunciado pela companhia no início do ano.
Segundo avaliação da XP Investimentos, a transação poderia contribuir para reduzir a dívida líquida consolidada para aproximadamente R$ 29,4 bilhões, enquanto o indicador de alavancagem recuaria para cerca de 2,8 vezes. Esses números são estimativas dos analistas e não representam efeitos financeiros já realizados.
O Bradesco BBI também avalia que a venda poderá proporcionar alívio ao balanço da CSN, embora outras iniciativas de desinvestimento continuem necessárias para melhorar sua estrutura de capital.
Proposta chinesa supera concorrentes
A escolha da Huaxin ocorreu após meses de negociações com investidores interessados na aquisição da CSN Cimentos.
Entre os concorrentes estiveram a Votorantim Cimentos, em conjunto com a italiana Cementir, além de outros grupos com atuação no setor.
Informações divulgadas durante o processo apontavam propostas próximas de R$ 10 bilhões a R$ 11 bilhões, enquanto a CSN buscava uma avaliação superior para sua subsidiária.
A proposta chinesa, de R$ 12,7 bilhões em valor de empresa, foi considerada a mais vantajosa pela administração da siderúrgica.
A eventual aquisição também ampliaria a participação da Huaxin no Brasil, onde a companhia já possui presença no segmento de agregados minerais.
Com capacidade instalada de aproximadamente 16,3 milhões de toneladas anuais de cimento, a CSN Cimentos representa um ativo relevante para a expansão internacional do grupo asiático.
Reorganização inclui negócios no exterior
Além da venda da divisão de cimentos, a CSN vem avançando em outras negociações para reduzir sua exposição financeira.
No início de outubro, a companhia anunciou um acordo para a venda da siderúrgica alemã Stahlwerk Thüringen, com valor de empresa de € 550 milhões.
A operação envolve o grupo espanhol Megasa e integra o processo de revisão do portfólio de ativos da companhia brasileira.
As medidas fazem parte da reorganização financeira conduzida pela administração da CSN, atualmente liderada pelo presidente executivo Fábio Schvartsman.
Apesar do avanço nas negociações, a alienação da CSN Cimentos ainda depende da formalização dos contratos definitivos e das demais condições aplicáveis à transação.
A companhia informou que manterá o mercado atualizado sobre os desdobramentos relevantes do processo.
O post CSN negocia venda de unidade de cimentos por R$ 12,7 bilhões apareceu primeiro em Revista Mineração.




