
A Vale obteve autorização ambiental para ampliar as operações da mina Fazendão, localizada na região de Mariana e Catas Altas, em Minas Gerais. O projeto contempla a implantação de uma nova unidade de beneficiamento com capacidade para processar até 21,8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, ampliando a estrutura industrial da mineradora no Complexo Mariana.
A licença foi concedida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), em reunião realizada em 25 de setembro de 2026, com publicação da decisão no dia seguinte. O empreendimento foi analisado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), por meio do processo nº 34164/2025, e recebeu autorização com validade de dez anos, condicionada ao cumprimento de exigências ambientais.
A nova Unidade de Tratamento de Minerais (UTM) terá capacidade para produzir até 12,6 milhões de toneladas anuais de pellet feed, concentrado de minério de ferro utilizado pela indústria siderúrgica, inclusive em processos de redução direta.
O empreendimento representa uma ampliação significativa da capacidade de beneficiamento de Fazendão. Atualmente, a unidade existente pode processar aproximadamente 6 milhões de toneladas de minério bruto (ROM) por ano.
Beneficiamento de minério com menor teor de ferro
A implantação da estrutura está relacionada às mudanças nas características do minério extraído em Fazendão. Segundo informações apresentadas pela Vale no processo de licenciamento, a operação passou a registrar maior presença de itabirito compacto, material de maior dureza e menor concentração de ferro.
Para adequar o processamento a essas condições, a nova planta utilizará beneficiamento a úmido, com etapas de britagem, peneiramento e redução granulométrica por meio de prensa de rolos.
A expectativa é permitir o aproveitamento de materiais que exigem tecnologias de tratamento mais complexas, contribuindo para a continuidade das atividades minerárias.
O projeto possui vida operacional estimada em 36 anos. O valor previsto para o investimento não foi divulgado.
A ampliação da mina também contempla a expansão da área de lavra da cava São Luiz, com previsão de elevar a capacidade de extração de minério bruto de 17 milhões para 25 milhões de toneladas anuais.
Obras poderão mobilizar mais de 3,8 mil trabalhadores
A implantação da nova unidade deverá movimentar o mercado de trabalho nos municípios próximos ao empreendimento.
Conforme os estudos ambientais, estão previstas 3.603 novas contratações durante a fase de construção. Considerando o efetivo total mobilizado, a demanda poderá alcançar 3.786 trabalhadores no pico da primeira etapa e 3.858 na segunda.
A Vale informou que pretende priorizar profissionais de Mariana, Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais, com programas voltados à qualificação e à contratação de mão de obra regional.
Após a conclusão das obras, a nova planta deverá contar com aproximadamente 597 postos de trabalho. A documentação ambiental também estima a circulação diária de 711 trabalhadores no conjunto das atividades da mina, incluindo equipes operacionais e administrativas.
A unidade está projetada para funcionar de maneira contínua, 24 horas por dia, durante os sete dias da semana.
Licenciamento prevê intervenções e compensações ambientais
A expansão industrial abrange uma área diretamente afetada de 89,42 hectares e inclui intervenções em 6,40 hectares de Área de Preservação Permanente (APP), além do corte ou aproveitamento de 340 árvores nativas isoladas.
Entre as obras previstas está a canalização de aproximadamente 700 metros do córrego São Luís, para adequações no escoamento de água e na infraestrutura ferroviária.
Como medidas compensatórias, a mineradora apresentou a proposta de recuperação de 4,92 hectares de área degradada na Fazenda Fidalgo e a destinação de 1,48 hectare no Parque Nacional da Serra do Gandarela para regularização fundiária.
O empreendimento também contará com sistemas de filtragem e empilhamento de rejeitos, tratamento de esgoto e mecanismos de controle de poeira e emissões atmosféricas.
A documentação prevê consumo de 876 metros cúbicos de água bruta por hora, com índice estimado de recirculação de 97,6%.
Mina Fazendão integra o Complexo Mariana
A mina Fazendão faz parte do Complexo Mariana, que reúne importantes operações de minério de ferro da Vale em Minas Gerais, incluindo Capanema, Timbopeba, Alegria e Fábrica Nova.
O minério beneficiado deverá seguir pelo Terminal Ferroviário de Fazendão e pela Estrada de Ferro Vitória a Minas até o Porto de Tubarão, no Espírito Santo.
A autorização ambiental representa uma etapa necessária para o avanço do projeto, mas sua implantação e operação permanecem vinculadas ao atendimento das condicionantes estabelecidas pelos órgãos responsáveis.
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