
A mineração brasileira está diante de uma equação cada vez mais complexa: aumentar produtividade e competitividade enquanto reduz a pegada de carbono de suas operações. Nesse cenário, a energia ganha protagonismo, não apenas como um dos principais insumos da atividade, mas como uma alavanca para transformar a forma como o setor produz e se movimenta.
É nesse espaço que o gás natural começa a ganhar uma nova dimensão.
A Edge, empresa pioneira na abertura do mercado de gás, vem ampliando as possibilidades de acesso à molécula para consumidores industriais. Hoje, a companhia atende mais de 70 clientes em 11 estados, incluindo empresas de mineração, e trabalha com um portfólio diversificado de mais de 25 fontes de suprimento.
Para um setor como a mineração, essa transformação pode ser especialmente relevante. Ou seja, energia mais previsível para operações de grande escala.
No mercado livre, empresas podem negociar contratos de fornecimento de longo prazo e diferentes modelos de indexação, criando maior previsibilidade para seus custos e planejamento energético. Em um ambiente internacional marcado por volatilidade, essa capacidade de diversificar fontes e estruturar contratos de acordo com as necessidades de cada operação pode representar uma vantagem competitiva.
Mas o potencial do gás vai além da previsibilidade.
Uma das maiores oportunidades está justamente em levar essa energia a lugares onde a infraestrutura convencional não chega.
“A mineração precisa de energia competitiva, mas também de segurança e previsibilidade para planejar investimentos de longo prazo. O avanço do mercado livre permite que cada operação encontre uma solução energética mais adequada à sua realidade, combinando diferentes fontes e modelos de suprimento”, afirma Demetrio Magalhães, CEO da Edge.
Quando a estrada vira parte da infraestrutura energética
Menos de 20% da indústria brasileira tem acesso à malha de gasodutos. Para a mineração, que frequentemente opera em regiões afastadas dos grandes centros, essa limitação pode ser decisiva.
O GNL muda essa equação.
Transportado por caminhões, o gás natural liquefeito permite criar uma logística complementar à infraestrutura convencional e atender operações que estão a centenas de quilômetros dos gasodutos. É o chamado modelo off-grid, que transforma a estrada em uma extensão da infraestrutura energética.
A Edge já utiliza esse modelo a partir do seu TRSP, terminal de regaseificação em Santos, levando GNL a até 1.200 quilômetros do terminal.
O primeiro contrato nessa modalidade foi firmado com a LD Celulose, no Triângulo Mineiro, e demonstra como essa solução pode abrir novos mercados para o gás.
Para a mineração, a lógica é particularmente relevante: significa ampliar o acesso a uma fonte energética que pode ser utilizada tanto em processos industriais quanto na logística pesada.
“Quando levamos GNL para uma operação que está fora da malha de gasodutos, não estamos apenas entregando a molécula. Estamos criando uma nova possibilidade de acesso ao energético e impulsionando a produção da indústria. Para setores como a mineração, em que localização e logística são fatores determinantes, essa flexibilidade pode mudar a equação de competitividade”, destaca o executivo.
Do diesel à descarbonização da logística
Caminhões são essenciais para a mineração, e o diesel ainda é predominante no transporte pesado dentro do setor mineral. Por isso, a utilização do GNL pode contribuir para reduzir emissões em rotas de longa distância, oferecendo uma alternativa para aplicações nas quais a eletrificação ainda enfrenta desafios relacionados à autonomia, infraestrutura e escala.
Mas a transformação não precisa parar no gás natural.
A integração com o biometano permite construir uma trajetória de descarbonização progressiva, aproveitando a mesma infraestrutura e ampliando, ao longo do tempo, a participação de uma molécula renovável na matriz energética.
Essa é uma das frentes em que a Edge vem investindo. A OneBio, maior planta de purificação de biometano do Brasil, inaugurada este ano em Paulínia, tem capacidade para purificar até 225 mil m³ de biometano por dia, criando novas possibilidades de oferta para consumidores que buscam reduzir suas emissões sem abrir mão da segurança e da flexibilidade energética.
Na prática, gás natural e biometano podem atuar de forma complementar (já que são a mesma molécula): um amplia a escala e a disponibilidade; o outro acelera a descarbonização.
Uma nova equação para a mineração
O movimento mostra que o potencial do gás para a mineração não está apenas em substituir um energético por outro. Está em ampliar as possibilidades renováveis de um setor que precisa conciliar eficiência, segurança de abastecimento e descarbonização.
Com o mercado livre, contratos de longo prazo e diferentes modelos de indexação podem trazer previsibilidade. Com o GNL off-grid, o gás pode chegar aonde o gasoduto não chega. E, com a integração ao biometano, abre-se uma trajetória para reduzir progressivamente a intensidade de carbono das operações.
Para a mineração brasileira, essa combinação pode transformar energia em vantagem competitiva. E é justamente nessa interseção entre gás, logística e descarbonização que está uma das oportunidades para a próxima etapa de evolução do setor mineral brasileiro.
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