
A AngloGold Ashanti voltou a processar integralmente toda a produção de ouro extraída de suas minas no Brasil após reativar a Planta 2 do Complexo Industrial do Queiroz, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A retomada da unidade, resultado de um investimento de R$ 105 milhões, fortalece a estratégia de verticalização da companhia e elimina a necessidade de exportar parte do concentrado para beneficiamento no exterior.
O anúncio foi feito pelo presidente da AngloGold Ashanti Latam, Luís Lima, durante a EXPOSIBRAM 2026, em Belo Horizonte. Segundo o executivo, a empresa passa a operar novamente com toda a cadeia produtiva do ouro concentrada em Minas Gerais, desde a pesquisa mineral até a produção das barras certificadas de ouro.
Complexo do Queiroz recupera capacidade máxima de produção
Com a reativação da Planta 2, o Complexo Industrial do Queiroz volta a operar com sua capacidade total instalada. A estrutura poderá processar cerca de 280 mil toneladas de concentrado por ano, volume que pode chegar a 310 mil toneladas, dependendo do teor do minério.
Além do beneficiamento do ouro, o complexo também retomará a produção anual de aproximadamente 240 mil toneladas de ácido sulfúrico, coproduto utilizado em diferentes processos industriais e considerado estratégico para os negócios da mineradora.
A Planta 1 já havia sido reativada em 2024, enquanto ambas as unidades permaneceram paralisadas desde o último trimestre de 2022 para adequações operacionais e ambientais, principalmente relacionadas ao sistema de tratamento de efluentes e melhorias na infraestrutura.
Investimento modernizou toda a estrutura industrial
Os R$ 105 milhões investidos na retomada da Planta 2 foram destinados à recuperação e modernização da unidade industrial. As intervenções incluíram reformas estruturais em plataformas, escadas, tanques e bombas, além da atualização da rota de processamento mineral e dos sistemas de tratamento e recirculação de água.
De acordo com Luís Lima, a reativação aumenta a competitividade da operação brasileira ao permitir que todo o concentrado produzido nas minas da empresa seja beneficiado internamente, mantendo a certificação internacional da refinaria instalada em Nova Lima.
AngloGold avalia beneficiar ouro de outras mineradoras
Mesmo com o retorno da capacidade máxima do complexo, a produção própria da AngloGold Ashanti ainda não ocupa totalmente a capacidade instalada da refinaria.
Por isso, a companhia estuda utilizar a estrutura para beneficiar concentrado de ouro produzido por outras mineradoras, ampliando o aproveitamento da planta e criando uma nova frente de negócios no Brasil.
Mina Córrego do Sítio deve voltar a operar em 2027
Além da retomada da Planta 2, a AngloGold confirmou que trabalha para reativar a mina Córrego do Sítio (CDS), localizada em Santa Bárbara, na região Central de Minas Gerais.
A expectativa é reiniciar as operações da mina e da planta de processamento do complexo em 2027. Segundo a empresa, as licenças ambientais já foram aprovadas, enquanto a mineradora aguarda autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para concluir o processo de retomada.
A empresa informou ainda que já iniciou contratações para a futura operação, embora o valor total do investimento necessário para reativar o empreendimento ainda esteja em avaliação.
A mina Córrego do Sítio teve as atividades suspensas em 2023 devido aos altos custos operacionais e ao desempenho financeiro negativo da operação. Agora, segundo a AngloGold, o retorno será baseado em um modelo mais enxuto, integrado às demais operações da companhia em Minas Gerais e focado em segurança, controle de custos e excelência operacional.
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